Feel me in your memory
A porta estremeceu. Pensei que era o vento forte de mais uma noite quente - era afinal a mudança de estação. E as paredes ruíram como memórias mal vividas. Vozes de mim diziam-me para me agarrar mas nada havia sobrado. Vivi entre paredes invisíveis e sol não houve que iluminasse ou sequer aquecesse as mãos que, geladas, eram excesso do corpo.
Afasto-me 07.13
Afasto-me na respiração profunda a acalmar o coração ritmado. Não preciso mais de O sentir e sou de novo um ser singular sem apêndices. O corpo, prazeroso, ocupa o lado desconexo da forma que a cama não tem mais, e a mente, volta a velhos muros, a tentar proteger, esconder, que a expressão possa revelar o que a memória já dolorosamente revive.
O seu braço abre espaço ao corpo que me convida à partilha, e da sua boca saiem palavras doces e hipnóticas que me levam até si. Sinto o calor do corpo ainda ardente, duma respiração mais forte que a minha. Sons de prazer poisam-me no seu peito. O braço prende-me a certeza e um beijo queima-me, numa profundidade inesperada, abrindo um caminho ao coração aleijado.
Ali fico, imóvel na sua pele, na inquietude dum sossego desconhecido. E do seu corpo feito porto, descanso o exercito que defende, da dor da simples vivência, o coração corcunda. Sosseguem guerreiros, nem todos serão inimigos e é talvez tempo de deixar entrar o estranho que mais estranho não é. Acenda-se a luz que o guiará no trilho difícil ao coração.
It’s not my secret to tell
O prazer à minha espera
O frio na barriga a lembrar sensações de outrora… a repetição de actos que tudo é menos repetição.
É a novidade de quem sou e de quem eles são, da combinação única de três ingredientes, três corpos, três seres deixados levar pela luxuria e pelo delicioso jogo de sabores que se criam à volta da possessão e do ciúme.
É ver esses sentimentos consumidos na pele, nos olhares, nos gemidos de dor e prazer.
É sentir-me um verdadeiro objecto sexual que pelo prazer, controla quem com ele quer brincar.
Vamos? São quase horas.










